Lineu Silva, o vilão de A Grande Família

Não se enganem pelas aparências. Aquele homem aparentemente bom, que cuida bem de sua família, que curte a sua vida como qualquer pessoa, se diverte, entre outras atividades tipicamente humanas não são mais do que meros disfarces para uma alma diabólica, tirânica ou inocente o suficiente para não perceber com o que ele trabalha. O homem sobre qual escrevo não existe, é o protagonista da série humorística da Rede Globo A Grande Família, que acabou ano passado, o Lineu Silva. Mas o seu tipo existe aos milhares.

Lineu Silva é fiscal da vigilância sanitária e se orgulha por ter mais de três décadas no serviço. Foram três décadas multando, fechando estabelecimentos, prendendo comerciantes e intimidando outros usando as leis como se fossem palavras acima do bem e do mal. Em outras palavras, o Lineu por mais de três décadas intimidou, roubou, prendeu e muito provavelmente acabou com a vida de comerciantes inocentes por não cumprirem alguma lei estatal que apenas servem para dificultar a vida de quem quer viver vendendo aquilo que pessoas se dispõem a comprar. Em outras palavras, ele não tem moral alguma para reclamar do genro que tem, o Agostinho Carrara.
O economista liberal Rodrigo Constantino chegou a “defender” a figura do Lineu destacando a sua seriedade no exercício do seu trabalho [1], mas é esse o problema. O fato do Mendonça ser preguiçoso não é um fator mais negativo para ele – mesmo que esteja ganhando dinheiro roubado – do que para o Lineu. O Lineu é muito mais nocivo para a sociedade exercendo o seu trabalho com seriedade do que o malandro Mendonça. O Mendonça por ser um preguiçoso atrapalha menos o mercado do que o Lineu. O Lineu não está interessado nos fins das leis e nem se elas são injustas ou não. Ele quer fazer cumpri-las. E mesmo que aplique uma punição a um comerciante desonesto a sua atitude é ilegítima por impedir os clientes de avaliarem ou não se a desonestidade dele deve ser punida com um boicote.
Em suma, o Lineu nada mais é que a personificação do estado-babá e existem vários funcionários desse tipo. Lineu pode até enganar a muitos com a imagem de bom homem fora do seu exercício de trabalho, mas isso não tira o fato dele ser criminoso, já que até os soldados da SS deveriam fazer isso nas horas de folga. Enquanto o estado não acaba é justo dizer que precisamos de mais Mendonças e menos Lineus.
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[1] Rodrigo Constantino; Privatize Já (São Paulo, Editora Leya, 2012), página 76


Por Luciano Takaki

Publicado Originalmente em Notas Libertárias

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