Animais não têm direitos

Por Michelle Fransan

“Leiam antes de julgar. Este texto foi escrito por mim e explica porque nem o estado consegue criar uma lei de direito animal. As pessoas confundem a lei de proteção animal, com direito animal. O que, em suma, é bem diferente. Os animais não têm direitos, nem por isso, devem ser mal tratados, aliás, quanto mais inteligente for a pessoa, mais empatia ela terá por todas as especies, mas há uma linha tênue entre a empatia pelos animais e acreditar que os animais estão acima dos seres humanos.
Cuidado!

Cheers.”


Venho trazer uma visão um pouco mais ampla sobre “direito” animal, mas como eu sempre falo, se há uma coisa que não quero fazer, é mudar o mundo,  apenas pontuar as questões de uma outra forma.

Acho relevante colocar esta questão em pauta num mundo onde o ser humano vem sendo cada dia mais repudiado pela sua mera existência. Num mundo em que as pessoas acreditam que a natureza ficaria muito melhor sem o homem. Será?3

Para desmistificar esta ideia e faze-los compreender meu ponto de vista, começarei falando sobre a lição básica do método científico. O maior pecado que podemos cometer quando defendemos a liberdade frente a ditaduras autoritárias é dizer, por exemplo, que o comunismo é teoricamente bom, mas sua prática é lamentável. Oras, que blasfêmia. Se o comunismo é terrível é porque sua teoria é impraticável, é péssima do começo ao fim. E quando dizemos que teoria Marxista é boa, estamos enaltecendo não apenas uma  teoria rasa, mas dando a ela valores éticos e morais que ela não possui.  Não existe teoria boa e impraticável, se a teoria não consegue ser colocada em prática ela é ruim e ponto final.

Quando colocamos ideologias frente a principal lição do método científico, concentramos nossas ideias não em nada, mas em qualquer coisa que aparecer. Um exemplo disso está no conceito de igualdade tão exaltado pelos que clamam pelos direitos dos animais.

É um tanto quanto estranho que a palavra igualdade não exista-sequer- na bíblia. E sabe por que não existe? Porque nascemos desiguais. Não seremos julgados da mesma forma no paraíso. Não sou igual a você, nem você igual ao seu irmão, nem seu irmão igual ao seu avô, nem um animal é igual ao outro, nem as litras das zebras são iguais, aliás, as listras as diferenciam entre si. Somos genuinamente desiguais, graças a Deus. A igualdade que querem conceder aos animais em relação aos homens, não existe nem entre seres humanos, porque igualdade não existe, ninguém é igual a ninguém, sempre haverá um macho alfa ou um líder que se alimentará primeiro e melhor que o restante. Temos aqui uma bela teoria, mas que não funciona na prática nem para os seres humanos, o que já invalida qualquer teoria que confira direitos e igualdade aos animais. Dito isso, não podemos conceder nem ética, nem idealismo a uma teoria que já nasceu fada a fracasso como a teoria da igualdade, caso contrário, estaremos concedendo moral onde não há.

E o que seria igualdade? Explicarei melhor, para entenderem que o conceito vai muito além da ideologia igualitarista, há muita coisa em questão que impede que a igualdade sirva para todos. Na matemática, X teria que ser igual Y. Em genética, Jane poderia teria que ter a mesma cor de olhos da Michelle, ou a mesma altura, mas só há uma maneira de uma pessoa ser igual uma a outra, ou de um animal ser igual ao outro se eles forem idênticas em todas suas características. Então a igualdade entre as pessoas, a igualdade entre os animais, a igualdade entre homens e animais só poderá ser alcançada se todos forem uniformes, idênticos em todas as caraterísticas, caso contrário, sempre uma espécie irá prevalecer, sempre alguém tirará vantagem. Leões não consiguirão conviver com coelhos, nem raposas com galinhas. O mundo seria uma verdadeiro show de horrores, onde não teríamos rostos, vontade própria, desejo, ou características individuais que nos enaltecessem.

A teoria esquerdista e ambientalista de igualdade máxima só  funciona em livros de ficção científica, um exemplo disso é  Kurt Vonnegut em seu conto “Harrison Bergeron” que descreve o funcionamento de uma sociedade totalmente igualitária, todos eram iguais de todas as maneiras. Ninguém era mais inteligente do que ninguém, nem mais bonito. Nem mais rápido ou mais lento. Ninguém era mais forte ou mais fraco. Toda esta igualdade estava sob uma vigilância incansável dos agentes do Ministério da Incapacitação dos EUA.

Para terem uma ideia:

Hazel tinha uma inteligência exatamente mediana, o que significava que ela não conseguia pensar sobre nada exceto em breves repentes.  E George, embora sua inteligência estivesse bem acima do normal, tinha um pequeno rádio de incapacitação mental em seu ouvido.  A lei obrigava-o a usá-lo sempre.  Ele sintonizava um transmissor do governo.  A cada vinte segundos, em média, o transmissor emitia algum barulho estridente para impedir que pessoas como George tirassem injusto proveito de seus cérebros.

Sentiu-se horrorizado ao ler o  trecho do conto acima? Sinal que, intuitivamente, sabe que não somos uniformes, que a desigualdade atinge a todos, do nascimento à morte. Não há igualdade entre seres humanos, nem entre animais da mesma espécie, nem entre animais de espécies diferentes. Essa igualdade buscada pelos protetores de animais só pode ser alcançada de uma maneira: Através da coerção e da força, pois ninguém em sã consciência irá aceitar medidas que lhes roubem a liberdade. O igualitarismo é desumano por si só, é improcedente por si só, tanto para os homens, quanto para os animais. Se ideal ético, não pode ser colocado em prática, pois fere a natureza humana ou o universo, este ideal é baseado numa péssima teoria. Um objetivo que viola a natureza do homem, não merece sequer consideração. Temos que ter uma confrontação constante de algo que é “verdadeiro” na teoria, mas impraticável na prática. Uma boa teoria é sempre praticável, essa é a lição básica do método científico.

Mas quando a desculpa não é uma igualdade irresponsável entre as espécies, o melhor lugar para jogar suas divergências é nas costas da cultura. Para os igualitaristas,  se o ser humano é superior aos animais, não é porque biologicamente e cientificamente isso é comprovado, mas sim, porque somos culturalmente preconceituosos. Suponhamos que seja comprovado cientificamente que gato preto é mais violento que gato branco. Em seu genes, há algum que conceda mais irritabilidade que o animal. O cientistas sociais, comprovaram que realmente o gato preto é mais violento que os demais, o que eles farão? Ignoraram a natureza e a biologia da espécie e falaram que é a forma como estes gatos são criados, um preconceito devido o gato ser negro.

Portanto, diferenças biológicas do homem frente aos animais, atormentam os que são a favor da igualdade máxima entre as espécies. Eles não conseguem entender, eles ignoram a diferença crucial do ser humano em relação aos animais: O homem, para sobreviver, tem que ir muito além dos seus instintos, tem que transcender a sua natureza e criar toda a tecnologia para sua sobrevivência. Ele inventa, ele improvisa, ele cria métodos para situações que nunca foram pensadas. Medicamentos são elaborados não apenas para sanar a dor e o sofrimento do homem, mas para sanar a dor e o sofrimento de diversas espécies de animais.  Alimentos que não alimentam só a si, mas seu gado, e o melhoramento a alimentação dos seus animais domésticos. O homem planta e cria animais para sobreviver. Pesquisa vascinas para manter a sua saúde e a saúde dos animais. E quando dizem que o homem interfere na natureza, ele interfere sim, mas  não é só para destruí-la, mas também para mante-la evitando, por exemplo, a extinção de animais que a própria natureza iria aniquilar. Ao contrário, do que esta gente pensa, a natureza, por si só, é conflitante e absurdamente caótica, ela não é harmônica como gostariam que fosse.

Segundo Thomas Hobbes, o homem nega o estado natural para proteger a espécie humana das forças da natureza. Ouso dizer mais, o homem não protege apenas a espécie humana das forças da natureza, mas uma vasta variedade de espécies.

Se o homem protege o animal, porque então fala-se tanto em direito animal?

As leis, no Brasil, não falam em direito animal, mas em proteção animal, o que eu considero justíssimo. Não falam em direitos dos animais, porque para ter direitos é necessário ter deveres. Não podemos jamais dissociar direitos de deveres para não corrermos o risco de formar uma geração de mimados.”Ninguém quer deveres, só direitos. Mas são os deveres que sustentam a formação de vínculos; os direitos apenas geram demandas, por isso servem para políticos e embusteiros.”Luiz Felipe Pondé.

Não há como dar a um animal direitos e propriedade se não há compreensão de como leis e regras funcionam. O animal não tem a complexidade do ser humano.  A lei de proteção animal, é uma lei que não deixa de resguardar o homem.

Farei algumas perguntas, vocês respondam sim ou não.

Um animal onívoro quanto o homem pode caçar um outro animal para sobreviver?

Uma Orca tem o direito de pegar uma foca e ficar jogando no ar para outra Orca por puro divertimento?

Um leão pode caçar uma Zebra para comer?

O ser humano pode criar e matar animais para sua subsistência?

Se a sua resposta for sim para as três primeiras e não para última, pelo motivo de que o animal é um ser que age por instintos e impulsos, ao contrário do humano que tem a capacidade de distingui-los e a liberdade de escolha entre o bem e o mal. Desculpe, mas você é está se contradizendo e colocando o homem como uma espécie superior.

Adoraria deixar bem claro que, quanto mais inteligente for o homem, quanto maior for sua capacidade intelectual, maior deverá ser seu respeito por qualquer espécie.

Por outro lado, a substituição do homem pelos animais, os projetos de leis que imputam crime inafiançável a quem quebrar um ovo de tartaruga, enquanto tramitam ao mesmo tempo projetos que descriminalizam o aborto, me levou a acreditar na idolatria do ser humano nesta caricatura indizível do amor perfeito que só os animais podem conceder a certas pessoas, afinal de contas, é tão fácil amar os animais, tão fácil ter um ser dependente de nós em tempo integral dando-nos o carinho e a atenção que julgamos merecer. Sem conselhos, sem conversas desagradáveis, palavras que machucam. Sem decepção, sem desamor,, sem dissabores- Apenas linguadas e afagos.

Difícil mesmo é encontrarmos disposição para sentir o outro, permitindo nos abrir para angústias, tristezas, desilusões. Já não nos encontramos disponíveis para ouvir, para falar, enxergar-sentir. Nossa cegueira, mudez e surdez nos coloca como paladinos da moral numa vida vazia. Não estamos dispostos a procurar, a encontrar, a remediar a vida de ninguém. O mundo passou a girar no centro do umbigo de cada um de nós. Assim, quanto mais as pessoas conhecem os seres humanos, mais amam os animais. É mesmo complicado entender o outro, desvendar o outro- amar o outro.

Com os animais vivemos a utopia de um ser sempre a disposição de perdoar todas as nossas misérias, nossa pequenez, nossa falta de senso, nosso egoísmo, nossa loucuras, nossos devaneios. Eles nos amam independente de sermos quem somos, o que somos, pra que viemos, nos amam Independente de sermos padres ou putas- Nos amam sem nos conhecer.

Entre os humanos não estamos dispostos a nos abrir, a nos mostrar a atrair olhares para o nosso melhor. Para encontrarmos o melhor, temos que aprender a sempre desbravar o pior de nós mesmo e dos outros- Estamos dispostos?

A devastação humana não é algo interessante pra ninguém. Fere, machuca, desequilibra, queima, dilacera, transforma. Transformação?-Quem tem paciência para esperar?

Quem não quer um animal para chamar de seu e só seu, tê-lo sempre ao encalço lambendo-nos os pés mesmo banhados em fezes? Pois é, os pobres coitados não são apenas um serzinho a trazer alegria, encanto e apaziguamento, mas os substitutos do vazio da vida repleta de amargura e descaso.

Não, não sou nenhuma desumana a desejar mau aos animais. Para mim, maus tratos aos animais, não é um crime contra a dignidade animal, mas sim, um atentado criminoso contra a dignidade humana.

Por Michelle Fransan


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