O voto, o golpe e a colonização.

Agora que a Dilma foi afastada da presidência da República, muitos que votaram nela estão falando que tal afastamento é golpe, inclusive chegaram a mim imagens de pessoas que rasgaram seu título de eleitor. Na outra ponta, a grande maioria dos brasileiros comemoram a virada de jogo, inclusive jogando na cara dos petistas a verdade que eles não aceitam: Também votaram no Michel Temer. Mas afinal ocorreu golpe? Quando foi o golpe? E o que a colonização tem a ver com o golpe? Respondo no artigo que segue.

Quem votou na Dilma, votou no Temer e deveria estar feliz por ter seu voto respeitado. Mas e nós que não votamos neles? Porque devemos nos conformar com a situação atual? Simplesmente não devemos nos conformar. Nem o governo de ontem, nem o governo de hoje nos representa, portando devemos continuar a nossa luta para o fim da proteção estatal aos agressores e para que a liberdade venha sobre nossa nação que vive um crescimento contínuo da ditadura estatal.

Muitos chamam o regime militar de golpe, outros falam que golpe foi o fim o regime militar, mas analisando a linha histórica vemos que o Brasil era muito grande para ser colonizado pela coroa portuguesa, sim, a coroa portuguesa não colonizou o Brasil, os colonizadores na maioria vieram para o Brasil em busca de liberdade e por isso que a escola nos ensina que as capitanias hereditárias não deram certo, porque o emigrante não reconhecia a autoridade de Portugal, pois realmente não tinha lógica você trabalhar e a coroa portuguesa ficar com o lucro simplesmente porque desenharam umas linhas em um pedaço de papel.

A colonização de um território está intrinsecamente ligado com a origem da propriedade privada. A terra não pode ser coletiva por ser escassa, ou seja se não tiver um dono o resultado é a disputa pela liderança sobre o coletivo para que indiretamente você seja dono das terras coletivas, isso é o comunismo e todos sabemos que além de não funcionar gera guerras e outros conflitos desnecessários. Portanto a forma pacífica de se resolver esse problema é a propriedade privada, mas e quando a terra ainda não é de ninguém, como uma pessoa poderia dizer que a terra é dela?

Quem colocar uma propriedade para produzir e cuidar dela, é o colonizador e seu dono. A coroa portuguesa ignorou o princípio básico da propriedade buscando subjugar os povos que habitavam e os que iriam habitar no território onde se encontravam as capitanias. Esse foi o golpe, o verdadeiro golpe que ninguém comenta e a maioria busca esconder, as capitanias hereditárias existiram no papel de 1534 até 1759 e não deram certo graças ao anseio por liberdade.

Podemos dizer que nesse período o Brasil foi extremamente liberal, em boa parte do território o anarcocapitalismo imperava, os portugueses não ligados a coroa portuguesa (chamarei eles de brasileiros) chegavam ao Brasil e buscavam terras sem donos para construírem suas vidas ou compravam dos nativos com quem também realizavam negócios de todo tipo sendo tais negócios benéficos para ambos os lados. Lembra daquela aula em que o índio trocava pau-brasil por espelhos? Foi verídica, e não eram apenas espelhos e pau-brasil, os brasileiros trouxeram da europa muitas tecnologias, assim como conheceram e desfrutaram das tecnologias indígenas. Além da troca cultural com a qual todos nos beneficiamos até hoje.

Onde não havia presença estatal, o Brasil funcionou muito bem nesse período, o problema era onde havia presença estatal, tanto da Coroa Portuguesa, quanto dos Tupi-Guaranis que possuíam uma nação em franco crescimento. As forças estatais não buscavam colonizar as terras e viver do fruto do seu próprio trabalho, pelo contrário queriam através de violência o controle de toda produção nas terras brasileiras, seja a produção dos nativos quanto dos brasileiros, os portugueses buscavam uma escravidão com um título diferente para os escravos, os chamando de contribuintes.

A cobrança para utilização dos portos que os portugueses instalaram era justa, entretanto, a violência que a coroa praticava contra os brasileiros que buscavam construir seus próprios portos e fugirem do monopólio português do comércio internacional, era a principal arma deles no verdadeiro golpe sofrido no Brasil, que era a instauração de um estado coercitivo, e também o que impedia o crescimento econômico do Brasil. A condenação do Brasil a séculos de escravidão tributária foi consequência da tomada da Europa por Napoleão Bonaparte que levou à fuga da corte portuguesa para o Brasil.

Foram aproximadamente 15 mil portugueses que desembarcaram em Salvador, a capital brasileira na época, sendo feita a mudança de capital para o Rio de Janeiro no ano seguinte. Tanto que assim que a corte portuguesa veio para o Brasil em 1.807, logo liberaram o comércio internacional, porém seu domínio não diminuiu e sim aumentou, pois havia firmado um tratado com os ingleses que comandavam o Oceano Atlântico, dificultando a sonegação das exportações. Com o rei Dom João VI em terras brasileiras a fiscalização aumentou, gerando revolta dos brasileiros, sendo o principal tributo chamado de “quinto dos infernos”, que era o tributo de um quinto (20%) pago sobre o ouro.

Já no Rio de Janeiro, tal rei alterou a situação do Brasil de colônia portuguesa para país membro do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, instalou o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, a Junta Geral do Comércio e o Supremo Tribunal, que até hoje atuam na expansão do socialismo no Brasil. Essas medidas consolidaram o domínio português no Brasil, mas Dom João VI percebeu que o povo brasileiro continuava com o jeitinho brasileiro e não se entregaria facilmente e foi isso que levou Dom Pedro I a ficar no Brasil em 1821, quando sua família retornou a Portugal.

Dom Pedro I declarou a independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822, não por vontade própria, mas porque os brasileiros não aceitavam ser colônia de Portugal, nem mesmo parte do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, os brasileiros não queriam pagar tributos, sabiam que a liberdade era muito melhor. Então Dom Pedro I usou a independência do Brasil para dividir os brasileiros e assim conquistá-los de vez. Com a independência houve a criação de cargos políticos e aumento dos servidores públicos e isso alterou de vez o rumo do Brasil, antes lutavam pela Liberdade, buscavam a sonegação com todas as forças, porém agora com o Império do Brasil, o sentimento de Liberdade foi substituído pela ganância pelo poder.

A criação de cargos públicos mudou a cara do Brasil, agora a disputa era de quem iria explorar os outros brasileiros, o pensamento do: “se eu não ocupar aquele cargo, outro irá ocupar.” entrou na mente do brasileiro que mesmo sabendo que era errado, mesmo sabendo que essa expressão significa “se eu não explorar eles, outro irá explorar.”, optaram em se vender a Dom Pedro I e o golpe foi finalizado com sucesso. Dom Pedro I estava tão confiante no sucesso do golpe que em 1.826 retornou para Portugal e entregou o Reino de Portugal para sua filha Maria II de apenas sete anos, como uma forma de governar os dois países.

O restante da história podemos resumir em uma continuação da briga pelo poder que só aumentou o tamanho do estado e praticamente acabou com a Liberdade no Brasil, tanto civil, quanto econômica. A maior prova de sucesso do golpe é quando ouvimos: “sou cidadão de bem, eu pago impostos.”. O voto é utilizado contra nós mesmos, dizem que fomos nós que escolhemos e temos que pagar pelos problemas causados pelos políticos. Mas quando tivemos a chance de ninguém dominar sobre nós? Enquanto na urna não tiver a opção “Secessão individual“, seremos todos vítimas do golpe. E não adianta chorar, a única solução é a luta pela Liberdade que não deve cessar, devemos nos inspirar nos nossos ascendentes que lutaram por séculos pela Liberdade e dizer chega aos agressores.


Saiba mais

Índios Tupi-Guarani na pré-história: suas invasões do Brasil e do Paraguay

http://www.infoescola.com/historia/a-vinda-da-corte-portuguesa-para-o-brasil/


Por Renato Furtado

Revisão de Daniel Castro

Renato Furtado
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Cristão, empresário e luta pela Democracia Plena. Dono da página Todo Trabalhador é Capitalista e RenatoFurtado.com no Facebook.

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