Desculpem-me, falsos libertários, mas o capitalismo requer a anarquia

Eu acabei de ler um artigo doído na Forbes intitulado “Sorry Libertarian Anarchists, Capitalism Requires Government“ (Desculpem-me anarco libertários, mas o capitalismo requer o governo). Ele foi escrito por um contribuidor chamado Harry Binswanger, que ironicamente diz defender o capitalismo laissez-faire, exceto por, você sabe, aquelas coisas que ele quer que o governo faça.

Para piorar, ler tal artigo me fez lembrar de um amigo que linkou a um artigo esquerdista no Center for a Stateless Society (Centro por um sociedade sem estado) intitulado “Anarcho-”Capitalism” Is Impossible“ (O anarcocapitalismo é impossível), onde uma anarquista esquerdopata chamada Anna Morgenstern disse basicamente a mesma coisa, mas preferindo um mundo de fantasia econômica anarquista de esquerda com resultados iguais para todo mundo aos governantes benevolentes imaginários de Harry. Na verdade, eu não devo chamá-la de esquerdopata. Para uma esquerdista, ela na verdade conseguiu fazer um argumento coerente, apesar de facilmente refutável, do qual eu falarei em um artigo diferente, porque eu tenho bastante coisas para falar sobre o artigo da Forbes.

Imagine, a Forbes e o C4SS se juntando contra os AnCaps… Agora eu tenho uma dor de cabeça, e não consigo dormir.

Para o crédito de Harry, ele transformou em queijo suíço alguns daqueles mesmos argumentos “voluntaristas” incoerentes que eu já gastei muito tempo refutando. Harry reconhece, assim como eu, que a força é uma função necessária da sociedade humana. Essencialmente, todas essas conversas são sobre, quando e como usar a violência física para moldar o curso da sociedade humana. A maioria das pessoas que se chamam de anarcocapitalistas ficam muito desconfortáveis com esta realidade, então elas não gastam muito tempo pensando nisso. Elas preferem de longe gastar o tempo delas fumando maconha, e devemos agradecê-las por fazerem isso, uma vez que a violência é quase que universalmente intolerável na sociedade polida. Por isso no entanto, elas ou negam que a força será necessária, ou não têm ideias coerentes de como ela será aplicada em uma sociedade livre.

Eu também suspeito que Harry, assim como eu, tem gasto um bom tempo falando com pessoas que não são anarcocapitalistas na verdade. Muitas dessas pessoas na verdade são anarquistas-esquerdistas-de mercado como Anna. Não capitalistas, mas esquerdistas que simplesmente estão desesperadamente tentando inserir algo parecido com um raciocínio econômico coerente em suas fantasias esquerdistas sobre uma igualdade de resultados universal. Quando alguém tenta aplicar economia racional à igualdade universal, nós não devemos agir surpresos quando ele falhar, e minarquistas como Harry não devem declarar vitória para suas justificações de iniciação de violência, somente porque eles venceram um oponente fraco intelectualmente.

Assim como outros fetichistas do governo limitado, Harry tem um conto de fadas romântico em sua mente sobre a uma vez grande república Americana. Ele fala muito sobre um governo “limitado” “apropriadamente” que uma vez existiu mas que somente recentemente foi traído por alguma força não nomeada.

binswanger

A genialidade do sistema americano é que ela limitava o governo, o cerceando através da Constituição, com um sistema de freios e contrapesos e a provisão de que nenhuma lei poderia ser aprovada a menos que fosse  “necessária e apropriada” para o único propósito do governo: a proteção dos direitos individuais– protegê-los contra a sua violação através da força física.

O fatos sejam malditos, este cara pensa que a constituição já significou algo, e ainda mais histericamente, ele parece pensar que ela poderá significar a mesma coisa no futuro se ele somente reclamar o suficiente. Eu imagino se ele já leu a Constituição da Coréia do Norte, ou a da União Soviética, ou a da China maoísta?

Eu preferiria fazer disto uma discussão econômica ao invés de uma aula de história, para não entediar meus leitores com repetitivos erros históricos que todos nós já discutimos ad nauseam com os PaulBots (NT.: fãs extremos do Ron Paul), mas para dar uma resposta apropriada para qualquer argumento minarquista, isto será meio que necessário.

Qualquer estudo honesto da história irá demonstrar que esta fábula de livre mercado com um governo limitado é uma fraude trazida pelas escolas do governo para te convencer que seu senhor de escravos na verdade te faz livre. É realmente necessário lembrar a alguém que os Estados Unidos começaram com a escravidão? O governo declarou que uma classe de pessoas era proprietária de outra classe de pessoas, e se a classe escrava escapasse da classe proprietária, o governo iria, a custos dos pagadores de impostos, retornar o escravo ao mestre, à força. Claro, em seu negócio você poderia optar por não ter escravos, mas você não somente estaria competindo contra um adversário com um exército de escravos em sua força de trabalho, mas você estaria subsidiando a propriedade de escravos dele com seus impostos (o que te faria um escravo também, diga-se de passagem). Ninguém com a mente sã pode falar comigo sobre livre mercado quando existe a propriedade sobre seres humanos sancionada pelo estado. Se esta for sua definição de capitalismo, senhor, isto explica porque tanta gente o odeia. Este tipo de raciocínio causa mais danos à ciência econômica de livre mercado do que doar ao partido Democrata.

Antes que a situação terminasse em uma guerra civil, George Washington assinou a lei autorizando o First Bank of the United States. Um banco central privado, que, enquanto ele emitia dinheiro teoricamente lastreado em metais preciosos, ele na verdade imprimiu notas de papel em valores acima do lastro real. Ele pode ter mantido a inflação em níveis mínimos até a guerra civil americana, mas um banco central com uma moeda de facto fiduciária, manipulando os mercados de acordo com as vontades de homens como Alexander Hamilton, dificilmente é um livre mercado. Dizer o contrário é entregar o argumento à Keynes em uma bandeja de prata (ou será que ele preferiria uma de papel?).

Antes que prossigamos após George Washington, podemos dizer oficialmente que o espírito da primeira revolução americana foi morto durante a supressão da Rebelião do Uísque?

Se a escravidão e a existência de um banco central não te tirarem desta dissonância cognitiva, Harry, então talvez os Alien & Sedition acts, assinados pelo segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, irão. John Adams se outorgou o poder de prender e deportar imigrantes que fossem “perigosos para a paz e a segurança dos Estados Unidos”, e restringiu a livre expressão que fosse crítica ao governo dos federal, em nome da “Segurança Nacional”. Isso soa familiar? Sob esses atos, diversos jornalistas foram detidos, multados e presos por criticar o governo federal. Talvez o mais notável deles tenha sido Benjamin Franklin Bache, neto do Benjamin Franklin cuja foto está estampada nas notas de cem dólares.

Nós não estamos sequer 12 anos dentro dos quase 240 anos de história da república ainda, mas as coisas só ficam piores daqui por diante. Então a sua fabulosa “terra dos livres” começa com escravidão, banco central, débito, insurreição e prisões de repórteres, somente para chegar a uma guerra civil e uma moeda totalmente fiduciária, antes de chegarmos ao imposto de renda e o Federal Reserve moderno, me desculpem, mas você nem sequer sabe o que liberdade significa.

Com Puff, o Governo Mágico morto, vamos começar o argumento em si.

Pode existir capitalismo sem governo?

Eu gostaria de pensar que todo mundo está falando a mesma língua aqui, mas quanto mais eu converso com as pessoas, mais eu percebo que não estamos. Os símbolos que usamos para formar palavras no papel são os mesmos, e eles representam os mesmos sons. Isto é suficiente para nos comunicarmos uns com os outros para pedirmos hambúrgueres no McDonald’s, mas quando começamos a falar de economia e política, as pessoas tem a tendência desagradável de redefinir as palavras para ajudar o seu argumento. É necessário esclarecer o significado de duas palavras antes de prosseguirmos, para que minarquistas e esquerdistas possam ser respondidos apropriadamente quanto a suas críticas sem base das realidades óbvias que irei apontar.

Para os propósitos desta discussão, o capitalismo é definido como direitos à propriedade privada, trocas e contratos. As pessoas podem fazer o que quiserem com sua propriedade. Eles podem acumulá-la, dá-la, destruí-la, o que eles quiserem. Eles podem escolher protegê-la usando de força, ou eles podem deixá-la sem proteção, e ninguém terá o direito de, mas provavelmente alguém irá, tomá-la contra a vontade do dono.

Para os propósitos dessa discussão, o governo é definido como o estado. Uma desculpa para agredir, uma ficção legal com o suposto direito moral e legal de iniciar coerção contra outros para o propósito de organizar a sociedade humana, conforme os governantes dentro de uma fronteira geopolítica arbitrária acharem melhor.

Continuando com Harry, ele começa o artigo assim…

Conforme está escrito ao lado de minha foto, eu defendo o capitalismo laissez-faire. “Anti-governo” é o termo que esquerdistas usam para difamar esta posição. E, incrivelmente, alguns dos que se denominam de “libertários” são realmente consistentemente anti-governo; eles argumentam a favor do que eles chamam de “anarcocapitalismo.”

“O livre mercado funciona tão bem para tudo o mais,” estes anarquistas dizem, “porque não para os serviços do governo, também?”

Mas este argumento provém de uma premissa anticapitalista. Assim como os marxistas, que tagarelam sobre “exploração” e “escravidão salarial”, os anarquistas ignoram a diferença fundamental, crucial, entre trocas e uso de força.

Marxistas alegam que os atos capitalistas usam força. “Anarcocapitalistas” alegam que atos de força podem ser capitalistas. Embora eles venham de lugares diferentes, ambos ignoram ou evadem o fato que produzir e trocar bens é o oposto de força física.

Produção é a criação de valor, e comércio é a troca voluntária de valor por valor, para benefício mútuo. Força é a destruição, ou ameaça dela. Pode ser a destruição de valor, quando como por exemplo um vagabundo arremessa uma pedra em uma janela. Ou pode ser a destruição da destruição, quando por exemplo um policial aponta uma arma para aquele vagabundo e o leva à prisão. Mas em qualquer caso, ela é o oposto de criação de valor e trocas voluntárias.

Aqui temos uma ironia engraçada… Harry diz que anarcocapitalistas pensam economicamente através de uma perspectiva marxista, e enquanto eu começo aqui o elogiando pelo seu entendimento de que a força é necessária, seu erro é que ele está pensando no uso da força a partir de uma perspectiva pacifista.

Harry aqui argumenta que a força não tem valor, e tudo o que ele diz se baseia nisso. Para ele, a força não o provê com nada. Ele é um escritor, ele paga impostos para que a polícia possa protegê-lo, e enquanto ele está feliz em ter essa proteção, ele não parece ver qualquer benefício econômico nela. Ao invés disso, ele iguala a força a um dreno artificial na economia.

Sim, o vagabundo pode atirar uma pedra em sua janela. Não, janelas quebradas não melhoram economias. Sim, a polícia pode atirar no vagabundo. Não, vagabundos mortos não melhoram economias. Certamente, todos nós estaríamos melhor se pessoas não atirassem pedras e se nenhuma agência de proteção fosse necessária, e tão logo você descubra uma maneira de evitar que isso aconteça, eu realmente estarei interessado em ouvir sobre ela.

Enquanto isso, vagabundos arremessam pedras, estupradores estupram, assassinos matam, esquerdistas votam, e a polícia faz exatamente o quê para prevenir qualquer uma dessas coisas?

Se uma pedra atravessou a sua janela enquanto você estivesse lendo esse artigo, o cidadão médio chamaria a polícia. Dentro de poucas horas, ela chegaria e faria um boletim de ocorrência, e o vagabundo voltaria aos seus amigos e se gabaria de como ele jogou uma pedra num estatista e ainda se safou.

A polícia não é a razão pela qual você ainda tem janelas. A maioria das pessoas não tem vontade de jogar pedras, estuprar, matar ou roubar. É simplesmente mais fácil trabalhar para sobreviver. Com salários, níveis de impostos e regulações sendo o que são, isso fala muito sobre o quanto as pessoas preferem trabalhar a cometer crimes, isto seria ainda mais verdadeiro em uma sociedade livre, e não porque as pessoas temam a toda poderosa polícia as colocando na cadeia. Como um cara que alega defender o capitalismo de livre mercado, Harry, você antes de mais ninguém deveria entender como reputações e incentivos funcionam. Se um cara está no negócio de roubar lojas de bebidas, ele não vai durar muito em uma sociedade livre. Primeiramente, uma sociedade livre será uma sociedade armada, e esse cara provavelmente vai tomar um tiro bem rapidamente, com ou sem policiais, públicos ou particulares. Ele também não irá fazer muitos amigos ou desenvolver muitas relações de negócios lucrativas. Sua solidão, miséria, pobreza e sua rápida e violenta morte serviriam como um aviso de que as trocas honestas seriam o caminho correto. As únicas coisas que previnem isso são o desarmamento civil, medo de ser perseguido por usar força defensiva ou retaliatória, e leis Jim Crow inversas que obrigam empresas a servir e empregar pessoas que eles não querem fazer negócios com elas. Então, sucintamente, muito longe de prevenir o crime, o estado assegura que o crime compense.

Mas é claro, tais pessoas existem em qualquer sociedade em um número pequeno, com ou sem estado. Quanto mais propriedade você tiver de proteger, maiores serão os incentivos para roubá-la, maior a necessidade de proteção. Uma vez que acreditamos em direitos de propriedade privada, nós temos a tendência a dizer que ninguém tem um “direito” a tomar nossa propriedade de nós sem o nosso consentimento. É, porém, importante para capitalistas que a noção de que isto tudo seja algo sagrado e inviolável seja deixada de lado, porque claramente ele não é. Simplesmente ter uma casa requer que você realize manutenções nela, manter o aquecedor ligado durante o inverno para evitar que os canos congelem, consertar um teto com goteiras, talvez somente para evitar a perda de coisas valiosas para outras circunstâncias naturais, então cada pessoas deve proteger sua propriedade de roubo e vandalismo para evitar perder coisas valiosas para agressores.

Não, uma janela quebrada não ajuda uma economia, mas isto não significa que o vidraceiro não esteja te prestando um serviço valioso quando ele vem repor suas janelas. Não, canos congelados não ajudam uma economia, mas nós ficamos mais que felizes de manter o aquecedor ligado em uma casa vazia no inverno para evitarmos de pagar alguém para trocar todos os canos e soalhos. Não, tetos com goteiras não ajudam a economia, mas ficamos mais que felizes em pagar alguém para consertá-lo antes que o vazamento arruíne o carpete. De maneira parecida, estupro, assassinato e roubo não ajudam uma economia, mas uma agência de proteção, pública ou privada, que usa a força para parar agressores provê um serviço valioso, e quase todas as pessoas sãs ficariam felizes em pagar por tal serviço, e se você precisa de provas disto, não olhe além do fato que pessoas não estão matando cobradores de impostos diariamente.

Dê uma olhada em volta de você em toda a violência que existe no mundo, e então você tentará me dizer que não há mercado para a violência? Você pode não gostar dela, eu certamente não gosto, mas isto não é nada mais que a nossa própria preferência de mercado. Aquilo e um dólar irão te dar um copo de café neste mundo. Não importa se você proclama sua preferência na Forbes ou no BlogTalkRadio, o mercado é o mercado, e suas escolhas estão limitadas a se proteger, contratar alguém para protegê-lo ou ser vitimizado por agressores tanto do setor público quanto do privado.

O uso da força é um negócio valioso que foi monopolizado pelo Estado, e sim, nós encaramos tal monopólio como algo ruim.

O uso da força não é uma função empresarial. De fato, a força está fora do reino da economia, A economia se preocupa com a produção e o comércio. não com destruição e confisco.

Você não tem o direito de se chamar de economista, e dizer que qualquer coisa esteja fora do reino da economia. Você não tem o direito de estar tão errado. Você tem propriedade, ela é parte da economia, você quer protegê-la, e se o governo a rouba para protegê-la em algum tipo de paradoxo Orwelliano, ou você voluntariamente paga a alguém para protegê-la, ou se ela está desprotegida e algum agressor do setor privado a rouba, aqui está acontecendo uma troca de valores. Isto é economia, e o fato que eu tenho de informar isso a você não deveria somente te envergonhar, mas a todos de quem você aprendeu sobre o assunto.

Se pergunte o que significa ter uma “competição” em serviços governamentais. è uma “competição” em usar força, uma “competição” em subjugar outros, uma “competição” em fazer as pessoas obedecerem ordens. Isto não é “competição”, é um conflito violento. Em grande escala, é guerra.

O tiroteio no O.K. Corral não foi um caso de “competição”. Competição de verdade é uma rivalidade pacífica para ganhar dólares – dólares pagos voluntariamente em trocas não coercivas.

Harry fica desconfortável com instituições que competem no uso da força. Claro, isto é compreensível, existem instituições que competem no uso da força agora. Chamamos elas de nações, e quando elas competem umas com as outras, milhares de pessoas são brutalmente assassinadas em um ritual religioso chamado de “guerra”.

Se Harry fica tão desconfortável com as consequências de termos instituições que competem no uso da força, então acabar com os estados-nações deveria ser o primeiro passo para mitigar o dano que tal competição cria. Uma vez que ele alega entender de economia de “livre mercado”, eu espero que ele gastasse um pouco de tempo para tentar aplicar este entendimento a firmas de segurança privada, sem os óculos cor de rosa que uma vida inteira de doutrinação estatal colocaram em sua cara.

Vamos imaginar por um momento em nós dois vivemos na Rua Dourada no Ancapistão. (não tente procurar isso no Google Maps). Nós dois somos donos de nossas casas, ambos temos famílias e ambos temos empregos que tem salários bem próximos do padrão. Quando eu vou trabalhar, eu quero minha família e propriedade protegidas, então eu contrato a Agência de Segurança X porque eu achei que o comercial deles na TV foi bem legal. você também quer a sua família e propriedade protegidas, então você contrata a Agência de Segurança Z porque a recepcionista era gostosa. Esta agências são como a Coca e a Pepsi, não existem diferenças discerníveis entre elas exceto pelas nossas preferências de mercado, e nós não somos seus únicos clientes. Elas têm o mesmo interesse de lucrar o tanto quanto possível, competindo por clientes no preço e na qualidade do serviço como qualquer outra empresa.

Você e eu temos uma disputa quanto a aparelhos. Eu chamo minha agência de segurança, você chama a sua, e as agências concorrentes aparecem para servir aos seus clientes. Você presume que elas irão imediatamente abrir fogo em nós e uma na outra? Eu suponho que tal plano de negócios seria difícil de ser mantido. Poucas pessoas iriam querer tal trabalho, os poucos que quisessem seriam insanos, difíceis de controlar e caros Ninguém iria querer segurar tal instituição ou seus empregados.

De novo, ele comete o erro de pensar na força do ponto de vista pacifista, Tão logo exista potencial de um confronto violento, ele simplesmente entra em pânico. Ele não pensa direito. Ele quer que o governo resolva seu problema, porque ele não consegue se imaginar lidando com o problema por conta própria.

O objetivo das agências de proteção não é destruir a outra agência de proteção, o objetivo é satisfazer o cliente para ter lucro. Se eu acho que você roubou meus aparelhos, faz mais sentido para minha agência me ressarcir pelos aparelhos que entrar em guerra contra a sua agência de proteção. Também faz mais sentido para eles instalar câmeras de segurança e alarmes antifurto para ajudar a prevenir o roubo em primeiro lugar, e se o roubo ocorrer mesmo assim, para ter evidências para mostrar à sua agência de proteção de seu erro quando eles chegarem.

Qual seguradora iria segurar um ladrão? Se você sai por aí roubando coisas, e sua agência de proteção tem de entrar em guerra toda vez que você fizer isso, qual seria o incentivo de mercado para eles continuarem te atendendo? É melhor que você seja um ladrão bem eficiente se você acha que poderá contratar um exército de homens para batalhar toda vez que você for pego!

Aí está a sua competição entre agência para usar a força, senhor. A competição é evitar a violência até que ela se torne absolutamente necessária, porque a violência é cara e atrapalha o objetivo final. Isto é feito através de reputação, negociação, pagamentos, opinião, pública e de todos os outros modos que as pessoas negociam hoje, a única coisa a mais são armas caso tudo o mais dê errado.

Ao invés do governo, a entidade de mercado tem um incentivo para não usar a violência, porque a violência é cara, e ela tem outras ferramentas à sua disposição. O Estado só tem uma ferramenta, que é a violência, e uma vez que ele não depende de consentimento para obter suas receitas, existem poucos ou nenhum incentivo para diminuir seus gastos, Se ele tem documentos e procedimentos ou não é irrelevante, A única razão pela qual nós nos importamos com estes documentos, aparecemos em seus tribunais ou pagamos seus impostos é porque eles nos ameaçam com violência se não o fizermos. Este é um problema grave mesmo dentro de sua fabulosa república, mas quando o estado se torna o governo mais poderoso da história da humanidade e percorre o planeta matando pessoas inocentes e prendendo donos de armas e dissidentes, a realidade dura disto se torna ainda mais inescapável. Porque você quer uma garantia que os caras bons irão ganhar, você acaba na verdade tornando totalmente certo que a tirania e a opressão vencerão.

Se você contratar uma companhia para proteger a sua rede de roubos, e eu contratar uma para proteger meus aparelhos, sim, a minha agência deve ser melhor que a sua em usar a força que a sua, porque você e seus homens têm de morrer. A notícia boa é que existe muito mais demanda no mercado por proteção do que por agressão, então os caras bons tenderão a vencer no mercado da violência, porque eles terão mais clientes, e logo, mais acesso a homens e munição.

Comparemos isso com o Estado, cuja única ferramenta é a força.Você não pode demitir o Estado. Ele não tem competidor dentro de seus limites geopolíticos arbitrários sobre os quais ela alega ter jurisdição. Ele não tem interesse em prevenir o crime, ele não te ressarce pelas suas perdas, ele é pago esteja você feliz ou não. Ele te dá duas opções, obedecer ou morrer.

isto é o que acontece quando você tenta remover a violência da economia. Ela só fica pior, porque o analfabetismo econômico nunca resolve nada.

A competição econômica pressupõe um livre mercado. Um livre mercado não pode existir até que a força tenha sido eliminada. Isto significa que uma lei objetiva, apoiada por um governo. Dizer que ela poderia ser apoiada por usuários de força “concorrentes” é circular. Não existe competição até que exista um livre mercado, e uma agência tem de proteger sua condição no livre mercado pelo uso de força retaliatória.

Se um livre mercado não pode existir até que a força tenha sido eliminada, então como você supõe que devemos entregar a autoridade legal para iniciar a força contra pessoas para um monopólio totalmente não responsabilizável que não fez nada para conquistar tal posição no mercado? A força seria proibida por falta de opções. A maior parte das pessoas entende isso, e é por isso que a maioria de nós tende a comercializar e ter encontros ao invés de roubar e estuprar. Para as raras ocasiões que uma pessoa instável decidir quebrar essas normas amplamente aceitas, qualquer um de nós estará justificado em usar a força para fazê-la parar, ou contratar alguém como nosso agente para fazer isso por nós.

A ideia anarquista de colocar a lei “no mercado” não pode ser aplicada nem mesmo a um jogo de baseball. Isto significaria que as regras do jogo seriam definidas por quem quer que o ganhasse.

Na verdade, as regras do jogo seriam, e são atualmente, decididas pelos jogadores antes de eles entrarem em campo. Eles escolhem um árbitro (juiz) e concordam em acatar as decisões dele. O fãs não votam após cada jogada do batedor para decidir qual árbitro faz as melhores promessas falsas para beneficiar seu time. O governo não aparecer para redistribuir pontos. Os jogadores não são ameaçados com armas a seguirem as regras. É um arranjo totalmente voluntários, e qualquer um que não goste é livre para sair do campo a qualquer hora. Seria muito mais difícil inserir a democracia nessa equação do que compará-la à anarquia.

Em termos de eventos atuais, a anarquia significa o Líbano, a Somália e o Talibã. Nada poderia desacreditar mais o capitalismo do que ligar a “liberdade” a tais horrores.

Certo, porque o Talibã era um grande promotor da liberdade, e porque a escravidão e a guerra civil no começo dos Estados Unidos  são exemplos muito melhores de capitalismo, obrigado, Harry. Somália? De verdade? Somália? Esta conversa acabou…


Por Christopher Cantwell. O original em inglês está aqui.

Tradução Daniel Castro

Publicado originalmente em Idealismo Radical

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